A baiana Renata Sousa Massa, detida após os atos de 8 de janeiro de 2023 em Brasília, relatou de forma contundente as condições enfrentadas enquanto esteve sob custódia no sistema prisional do Distrito Federal.
A declaração ocorreu durante uma homenagem póstuma a Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como “Clezão”, durante uma sessão na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), realizada nesta quinta-feira (9).
Em discurso emocionado, Renata descreveu desde o momento da detenção até a chegada à Penitenciária Feminina do Distrito Federal, e direcionou fortes críticas aos agentes de segurança do local por conta do suposto tratamento recebido e das condições da prisão.
De Brasília, fomos para o ginásio, eu cheguei no ginásio, eram por volta de 4 e meia da tarde da segunda-feira do dia 9. Eu saí de lá 4 horas da manhã da quarta-feira para o IML, para fazer o corpo de delito e depois para a penitenciária, sem ter cometido crime algum. Lá dentro da penitenciária, para quem acha que foi pouco, era comida podre, era comida com unha, com pedra, era lavagem. A água que nós bebíamos, a gente tinha que botar no copo e esperar até cantar para beber a água, porque era a água da torneira e ainda assim nós tínhamos medo de comer e de beber água”, comentou.
A baiana não poupou detalhes e também afirmou que havia restrições a manifestações religiosas pois “incomodava as agentes” durante a detenção e relatou episódios que classificou como abusivos.
“Nós não podíamos cantar o hino, porque incomodava os agentes, nós não podíamos cantar louvores, porque incomodava as agentes, nós não podíamos rezar, que incomodava as agentes. Elas colocavam a gente no sol de meio-dia, por volta de, a gente imagina uns 20 a 30 minutos, sentadas naquele cimento quente, cabeça baixa, mão para trás e em silêncio. Eram gritos, foi violência psicológica, violência física, verbal. As pessoas podem imaginar o que nós passamos, mas nunca vão saber o que nós sentimos na pele”, completou.
Fonte: www.bnews.com.br
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