Sonho da energia verde vira pesadelo para alguns na Caatinga

Sonho da energia verde vira pesadelo para alguns na Caatinga

Parques eólicos e solares colocam o Brasil entre os líderes globais dessas fontes renováveis, mas levam também transtorno a moradores e desmatamento. A DW foi ao Seridó checar esses conflitos.

Olhando para a escuridão pela janela da pequena casa, uma moradora do sertão do Rio Grande do Norte lamenta o ruído de uma turbina eólica que atrapalha seu sono. “As noites são os piores momentos, porque o vento fica mais forte e, junto, o ruído; há dias que ela estala, acordamos sobressaltados com medo de que aconteça alguma coisa”, conta à DW Maria do Socorro, que tem 34 anos e é agricultora.

Ela diz que o sono de verdade ocorre de forma alternada a cada noite: em uma acordando constantemente, a na outra entregue à exaustão pela noite anterior. “Passei muitos anos tomando remédios para dormir, mas parei porque é muito forte, sofria com tontura, ânsia de vômito, mal-estar; restou só a angústia”, diz. Ela move um processo contra a empresa responsável pela turbina para que pague uma indenização suficiente para que possa se mudar dali. “Se pudesse, já havia saído há muito tempo.”

Aproveitar cada vez mais a energia dos ventos e do sol é um dos principais caminhos para superar os combustíveis fósseis e limitar o aquecimento global. Com uma expansão exponencial da participação de fontes renováveis na matriz elétrica nos últimos anos, o Brasil está bem posicionado nessa corrida: em 2022, passou a ocupar a sexta posição entre os países do mundo com maior capacidade de gerar energia eólica onshore (em terra), segundo relatório do Global Wind Energy Council, associação internacional de comércio para a indústria eólica com sede em Bruxelas.

O país também ocupa a oitava posição no ranking dos maiores produtores de energia solar do mundo, de acordo com a Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena).

Em novembro de 2023 e antes da Conferência do Clima em Dubai, a Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei para criar um novo marco legal para usinas eólicas offshore em plataformas em alto-mar ao longo da costa do país.

Falta de regulamentação

O Nordeste, com ventos fartos e ampla incidência solar, é a região mais atrativa para a construção desses parques de energias renováveis, que beneficiam também a indústria e a geração de empregos.

A presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeolica), Elbia Gannoum, reconhece à DW que situações como essa são inadequadas. A entidade considera que qualquer distância menor que 200 metros não atende parâmetros mínimos de bem-estar dos moradores locais, e afirma que um de seus objetivos prioritários é reparar empreendimentos que estejam em desacordo com esse parâmetro, mesmo que tenham sido construídos dentro da lei.

Fonte: https://www.dw.com

Ediomário Catureba | DRT 8484-BA

Comunicador, responsável pelos sites www.catureba.com.br e www.baixagrande.net
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